| Rua Barbados,
74 Vista Verde São José dos Campos- SP 12223-820 |
TELEFAX
(0xx12) 3912-4480 EMAIL jlmecs@aol.com |
[em edição] O Purgatório é um lugar de sofirmentos em que as almas se purificam, solvendo suas dívidas, antes de serem admitidas no céu, onde só entrará quem for puro. Sua existência se baseia no testemunho da Sagrada Escritura e da Tradição. Vários Concílios o definiram como dogma; Santos Padres e Doutores da Igreja o atestam a uma voz. Há uma prisão da qual não se sairá senão quando tiver pago o último centavo (Mateus, 18) Como são esquecidos os mortos! A Igreja, querendo que não nos esqueçamos das almas, consagrou um dia inteiro todos os anos à oração pelos finados. Determinou que em todas as missas houvesse uma recomendação e um momento especial pelos mortos. Ela aprova, sustenta e estimula a caridade pelos falecidos. "Como são esquecidos os mortos!", exclamava Santo Agostinho. "E, no entanto", acrescenta São Francisco de Sales, "em vida eles nos amavam tanto". Nos funerais: lágrimas, soluços, flores. Depois, um túmulo e o esquecimento. Morreu... acabou-se! Se cremos na vida eterna, cremos no purgatório. E, se cremos no purgatório, oremos pelos mortos. O purgatório é terrível e bem longo para algumas almas. São Francisco de Sales tinha medo de seus admiradores: "Essas pessoas, imaginando que depois da minha morte fui logo direto para o céu, me farão sofrer no purgatório". Santa Teresa pedia: "Pelo amor de Deus, eu peço a cada pessoa uma Ave-Maria, a fim de que me ajude a sair do purgatório e apresse a hora em que hei de gozar a vista de Jesus Senhor Nosso". O grande Frederico Ozanan nos deixou estas linhas: "Não vos deixeis levar por aqueles que vos disserem: ele está no céu! Rezai sempre por aquele que muito vos ama, mas que muito pecou. Com o auxílio de vossas orações eu deixarei a terra com menos temor". Santo Agostinho pede orações pelas almas de Mônica (sua mãe) e todos os leitores de seus livros. Não canonizemos depressa nossos mortos. Nunca nos descuidemos do sufrágio deles porque já o fizemos durante algum tempo, ou mandamos celebrar algumas missas. Ignoramos o rigor da Justiça Divina. Impotência para se acudirem O estado das almas do purgatório, é de absoluta impotência. Parecem-se com o paralítico estendido à beira da fonte de Siloé, que não podia fazer o menor movimento para ter alívio. Vêem suas companheiras de infortúnio, aliviadas de tempos a tempos recebendo os frutos de uma comunhão, o valor de uma missa, e elas ficam esquecidas. Vós que viveis na terra e tão facilmente vos comoveis ante o sofrimento e a idéia do abandono, ouvi as almas do purgatório pedindo-vos uma migalha desse pão que Deus vos dá com tanta abundância: uma pequena parte de vossas orações, boas obras, e sofrimentos! Como são justas as queixas que um religioso ouviu desses pobres corações abandonados:
São Francisco Xavier percorria, à noite, as ruas da cidade, convocando com uma campainha, o povo a orar pelas almas. Outrora muitas almas saíam do purgatório graças às orações dos fiéis. Mas agora poucas saem de lá. Poucos se preocupam com elas. |
|
A pena do dano A pena do dano consiste na privação da vista de Deus. Não compreendemos neste mundo o que isso significa. Mas, com a morte abrem-se-nos os olhos. De tal maneira Deus circunda de brilho de sua infinita majestade as almas, de tal maneira se manifesta sua incomensurável bondade que não podem já deixar de pensar nEle, amando-O com amor puro e total. É esse amor insaciável, essa privação, essa fome, essa sede de Deus que as aflige e tortura. Vivem constantemente a morrer sem deixar de existir. Essas almas lembram-se agora do tempo em que Ele estava tão perto delas, em que lhes batia a porta, e elas não Lhe abriam, preferindo um prazer, uma das muitas ninharias deste mundo, uma vil moeda. E agora ardem de desejos de estar com Ele, e Ele Se afasta. Esses desejos insatisfeitos são um verdadeiro suplício.
Tem-se visto neste mundo afeições tão profundas, almas que amavam tanto e não puderam suportar a separação e morreram de dor. As almas ficam aniquiladas de dor longe daquele Deus que amam apaixonadamente. Se compreendêssemos melhor como é horrível a separação de Deus! Duração das penas Assegura-nos S. Vicente Ferrer, que há almas que ficaram no purgatório um ano inteiro por um só pecado. Santa Francisca afirma que a maioria das almas do purgatório lá sofrem de trinta a quarenta anos. Muitos santos viram almas destinadas a sofrer no purgatório até o fim do mundo. As almas simples e humildes, sobretudo as que muito sofreram neste mundo com paciência e se conformaram perfeitamente com a vontade de Deus, podem ter um purgatório muitíssimo abreviado, às vezes horas... São Paulo da Cruz, estando em oração, ouviu que batiam à porta com força. "Que queres de mim?", pergunta. "Quanto sofro. Quanto sofro, meu Deus! Sou a alma daquele padre falecido. Há tanto tempo estou num oceano de fogo, há tanto tempo!... Parecem mil anos!" São Paulo da Cruz o reconheceu logo e respondeu, admirado: "Meu padre, faz tão pouco tempo que faleceu e já me falas em mil anos!" O pobre padre pediu sufrágios e desapareceu. São Paulo da Cruz, comovido, orou muito por ele e no dia seguinte celebrou a Missa pelo defunto. Viu-o, então, entrar triunfante no céu, na hora da comunhão. O Papa Inocêncio III apareceu a Santa Lutgarga dizendo que deveria ficar no purgatório até o fim do mundo por algumas faltas no governo da Igreja. Nosso Senhor mostrou-lhe quatro padres que estavam lá há mais de cinqüenta anos, por administrarem mal os Santos Sacramentos. Santa Verônica Giuliani fala de uma irmã que deveria ali permanecer tantos anos quantos passou neste mundo. Ao padre Scoof foi revelado que um banqueiro de Antuérpia estava no purgatório há mais de duzentos anos porque tinham rezado pouco por ele. Toma, pois, a resolução de jamais deixar passar um dia sequer sem rezar pelos parentes falecidos. Tem piedade daqueles que nos deixaram e que agora estão sofrendo. Pensa nos membros de tua família que faleceram e que tens deixado em tão lamentável e total esquecimento. Como ajudar nossos mortos?
* Oferecendo os sacrifícios e sofrimentos diários em sufrágio das Almas.
|
|